A água que dessedenta e abastece também é a mesma que que apaga histórias e invisibiliza pessoas. Essa é uma das reflexões que o Ebo-artista-pesquisador Luiz Marcelo leva para a Galeria de Artes Ana das Carrancas, no Sesc Petrolina, a partir do dia 17 de abril, com a exposição “Ebó: Território mediado pelas águas”. A temporada de visitação começa às 19h deste domingo e segue até julho. A visitação é gratuita.
Resultado do olhar crítico de Luiz, há mais de dez anos, sobre a construção de barragens, em especial a de Sobradinho, e o impacto nas pessoas ribeirinhas, como as atravessadas pelas camadas da raça e classe social, a exposição foi potencializada e ganhou materialidade em 2022. “Ela é parte das últimas pesquisas para pensar territórios inundados com a construção de barragens. A água, aqui, não é apenas elemento. É corte. É deslocamento. É aquilo que move e, ao mesmo tempo, apaga margens. Conduz, interrompe, infiltra, reescreve o território. O que permanece já não é o mesmo. O que desaparece continua agindo”, explica o artista.
Nesse contexto, o ebó age para intervir no desequilíbrio, somado à ideia de uma revolta que atua na energia contínua de reconfiguração. Para isso, a exposição reúne elementos como barro, couro, ferro, têxtil e materiais orgânicos em múltiplas instalações que vão ocupar a Galeria. São 17 séries e mais de 40 trabalhos, que se dividem em fotos, vídeos, cerâmica, performance e outras pluralidades. “É minha maneira de chamar a atenção para discussões importantes, pensar apagamento históricos, refletir sobre a ideia de progresso, violência e racismo ambiental”, finaliza Luiz, que estará presente na abertura junto com a equipe curatorial da exposição.





