“Artes cênicas e a responsabilidade coletiva de cuidar de nossas crianças” será o grande mote desta edição, que integra o Festival Palco Giratório, do Sesc Pernambuco
Pernambuco é um estado com grande vocação para o teatro direcionado ao público infantil, com inúmeras companhias e espetáculos marcando presença semanalmente nas agendas culturais. Para qualificar ainda mais o debate, o Sesc Pernambuco promove mais uma edição do Trela, seminário que propõe discutir como as artes da cena se relacionam com as infâncias contemporâneas.
O seminário integra a programação do Festival Palco Giratório, e acontece de 28 a 30 de maio, no Teatro Apolo, com inscrições abertas no eventos.sescpe.com.br/trelaseminario. Além dos encontros presenciais, o evento contará com transmissão oficial online, permitindo aos interessados assistirem os debates à distância.
No vocabulário de todo bom nordestino, dizer que uma criança “fez trela” é reconhecer que aprontou uma peripécia, uma travessura. Carregando essa energia inventiva da infância, o seminário se organiza sob o tema “Artes cênicas e a responsabilidade coletiva de cuidar de nossas crianças”.
A programação tem início na quinta-feira (28), a partir das 14h, com homenagem à mestra de dança popular Vilma Carijós, uma das idealizadoras e gestoras do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, atuante há mais de 30 anos na comunidade de Chão de Estrelas, Zona Norte do Recife, oferecendo aulas gratuitas e conectando o público atendido à rede de artistas, fazedores culturais, ativistas sociais e educadores que fazem a instituição.
Na sequência, o espetáculo Infinito (BA) conta a jornada de Tayó, um menino profundamente ligado à sua avó, que é lançado numa travessia interior, atravessado por memórias da infância e os laços ancestrais, para descobrir a si mesmo e a conexão com as ancestralidades e o conceito do infinito na cosmogonia yorubá-nagô e nos valores da cultura afro-brasileira. Logo após, iniciando os debates desta edição, a psicanalista Maria Homem apresenta a conferência de abertura: “O olhar da psicanálise sobre as Artes com e para as Infâncias”, com mediação de Pedro Rodrigues, técnico de artes cênicas do Sesc Pernambuco e coordenador do Palco Giratório.
Na sexta-feira (29), a conferência “As donas dos terreiros encantados: crianças brincantes” inicia as atividades do dia, a partir das 15h, reunindo Amália Pietra, Gabriel Hanry, Emylly Karolini e João Lucas, com mediação de Orun Santana, para uma conversa sobre as infâncias em diálogo com os saberes populares e as experiências brincantes.
Às 16h, o público acompanha o show do Coco Erêmin, grupo de Arcoverde (PE), celebrando a força da cultura popular pernambucana. Em seguida, às 16h40, acontece a conferência “Modos de criação cênica para crianças”, com Guilherme Hunder (BA), Luís Reis, Analice Croccia e Anderson Damião, mediada por Yalle Feitosa, discutindo processos criativos e práticas contemporâneas de produção teatral para o público infantil. O dia será marcado também pelo lançamento de livros artísticos para as infâncias, serão produções voltadas ao universo da literatura e da arte para crianças.
No sábado (30), a programação começa às 14h com a conferência “Artes Cênicas como espaço de protagonismo infantil”, reunindo Helô Ribeiro, Danteboy, Hugo Alexander e Gabi Cabral, com mediação de Ísis Agra, do Sesc Pernambuco. O debate vai destacar experiências que colocam crianças como sujeitos centrais nos processos criativos e pedagógicos.
Às 15h30, o seminário se encerra com a conferência “Experiências de cuidado com nossas crianças: criatividade, comunidade, ecologia e diversidade”, conduzida pela homenageada da edição, Vilma Carijós, e Dadá Quilombola, líder do Quilombo do Catucá e coordenadora estadual dos quilombos de Pernambuco Mata Norte/Sul, para uma reflexão sobre práticas de acolhimento, escuta e construção coletiva nas relações com as infâncias.
Palco Giratório
Lançado em 1998 pelo Sesc, o projeto já contou com a participação de 380 grupos artísticos de todas as regiões brasileiras. Desde então, já registrou mais de 10 mil apresentações a um público estimado em 5 milhões de espectadores. Neste ano, 28ª edição do Palco Giratório circulará de abril a dezembro com 381 apresentações e 164 ações formativas, que somam 337 horas de oficinas, realizadas por 16 grupos artísticos de 12 estados em sua circulação nacional. Espetáculos de teatro, dança e circo compõem a programação dessa edição, que alcançará 113 cidades de 23 estados.






